ANTOLOGIA POÉTICA  

"TÔ NEM AÍ"

 

PARTICIPANTES

Celito Medeiros

Maria Petronilho

Marisa Cajado

TÔ NEM AÍ...

Celito Medeiros


Tanta coisa acontecendo,
Você diz: ‘ Tô nem aí?’
Alguém com fome,
Como você reage?
Muitas dores assolam,
Tantos que se imolam.
Quantas perdas
A todo instante?!
São assassinatos,
Mulheres maltratadas.
Gente sem cultura,
Civilização aberrante e
Você diz: ‘Tô nem aí?’
Qual a sua luta,
Qual a minha,
Qual a nossa?
Cruzar os braços?
Dizer que não adianta nada?
Achar que são apenas bagaços?
O problema é você sentir,
mas dizer: ‘Tô nem aí”!...

ESTOU AÍ!
Maria Petronilho


ESTOU E SEMPRE ESTAREI
ONDE A INJUSTIÇA IMPERAR
INDIFERENÇA ACONTECER

MENINOS DESPEDAÇADOS
PELAS BOMBAS ENTERRADAS
NUMA TERRA DE NINGUÉM
QUE É A NOSSA TAMBÉM

TANTAS FAMÍLIAS SEM PÃO
TANTAS PALAVRAS EM VÃO

ESTAREI ENQUANTO HOUVER
UMA LUZ NO MEU OLHAR

MEU CORAÇÃO VAI DOER
ESTEJA AONDE ESTIVER
UM IRMÃO MEU A SOFRER

NADA ME FARÁ CALAR!

LISBOA, 30/9/2003

SEMPRE...DIREI PRESENTE
Marisa Cajado


Talvez eu não consiga
Estar onde eu deveria
Mas juro não diria
To nem aí.

Se alguém me chamar
Quero responder
Estou aqui

Se há alguém precisar
Quero dizer
Estou aqui

Se há alguém a chorar
Em desespero a sofrer
Direi Chore aqui!

E se alguém me sorrir
Num sorriso falarei
Sorri aqui

Minha mão estenderei
Minha voz altearei
No tudo, que alma sente
Para clamar
Na poesia, na dor ou na alegria
Estou presente
Sou o que sou somente
Mas sempre
Direi Presente!