DE TANTO TE AMAR QUASE TE PERDI


Quando me dei conta de que nosso amor estava morrendo
fiquei angustiada, respirei fundo e tentei descobrir
o porquê. O que fizemos de errado ?
O que deixamos de fazer por nós mesmos?
Tentei me manter calma para quando tu chegasses
eu te pudesse receber com o mesmo sorriso nos lábios, perguntar como foi o teu dia, se tinhas almoçado... enfim, coisas que uma mulher apaixonada pergunta.
Foi então que, de repente, parei e me observei pela 
primeira vez...analisei minhas atitudes...meus gestos e percebi quão eram tão maquinais...frios...impessoais... notei que não havia nenhum sentimento na minha voz,
nenhum carinho...nenhum afeto...
e quando sentávamos à mesa para o 
jantar, tu me respondias com monossílabos...
sem nenhum entusiasmo.

Ao deitarmos, como de costume, te abracei...
estremeci quando senti o calor do teu corpo junto
ao meu...mas nada demonstrei.
Nada falaste, limitando-se a me dar um rápido
e frio beijo nos lábios, murmuraste boa noite 
e viraste para o outro lado.
Ali na penumbra, pois os raios da lua atravessavam 
a fina cortina branca e deixava seus lindos raios
prateados desenharem as folhas ao vento que teimavam em dançar na direção da janela.
Observando esses delicados e misteriosos movimentos, me deixei retroceder alguns em nossas vidas, quando tudo era motivo para sermos felizes.
O nosso relacionamento era feito de momentos
mágicos...deixávamos nossas fantasias viajarem...
dávamos asas a imaginação, e após o 
gozo...o êxtase ...ficávamos abraçados, nos
acariciando, murmurando juras de amor...
comentando coisas de amor que só nós compreendíamos,
porque havíamos criado nossa própria linguagem...

Pensei..não faz tanto tempo assim...foi ontem...
porque estamos nos tratando como dois estranhos?
Duas pessoas educadas que convivem sob o mesmo teto...cumprem suas obrigações...e no fim do dia tudo se resume num frio boa noite!
Comecei a vasculhar minha caixinha de segredos:
o meu coração...
e descobri o que nos estava acontecendo.
Nós estávamos simplesmente cansados, pois o 
trabalho te absorvia por completo e eu não te pedia para tirar uns dias para irmos à praia, ou fazermos um passeio em nossa montanha preferida... Amor...eu chorei muito esta noite...chorei por mim, por ti...por nosso amor...
Mas, hoje, faz um dia lindo, maravilhosos, tu ainda dormes, mas quando acordares... eu te direi o quanto te amo... o quanto te quero...te desejo...e o quanto precisamos um do outro.
Vou suavemente beijar teu rosto, afagar teus cabelos e sussurrar docemente...
Amor, vamos em busca do 
tempo perdido...em busca do nosso amor,
que por nenhum de nós dois ter percebido 
estava morrendo pouco a pouco...
Voltei à razão e descobri que 
com o meu modo louco de te amar,
quem se afastou de ti fui eu...
com minhas exigências...com meu amor que te 
sufocava...que não te deixava respirar...
Ah! meu amor, perdoa-me!
Dê-me tua mão e vamos recomeçar!




ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA.E.E.SANTO