FOBIA
Bette Vittorino x Arneyde T. Marcheschi
Muitas vezes, tenho saudade de sair por aí,
Gosto de andar vagando pela cidade
sem rumo,
sem destino certo
sentar num piano-bar,
parar à beira-mar
ouvir uma boa música...
e procurar dentro de mim
Me lembro dos medos
o que tanto procuro e não encontro,
e logo recuo.
mas tenho medo.
Aprisiono a liberdade dentro das paredes
Medo de saber a verdade...
onde me encontro segura.
e me recolho em meu casulo,
Outras,
Algumas vezes,
tenho vontade de sentir sob os pés
procuro vencer meus anseios
a areia quente da praia,
e me recordo de seus longos beijos...
o sol a aquecer meu corpo numa longa
Foram muitos anos para se esquecer,
caminhada...
para apagar da memória o meu padecer.
De novo,
Tantas vezes
sinto o medo assaltar meus instintos.
reclamo e perjuro esse cruel destino
Recolho-me na concha onde sinto protegida.
que me faz viver nesse desatino,
Não sei quando ficarei livre das máscaras,
escondendo-me atrás dos meus medos,
dos medos,
de quando e como o perdi...
das maldades que assolam o mundo
Eu me pego pensando em
como consegui sobreviver sem ti,
da violência que vejo
amargando dores e saudades,
em cada rosto que cruza o meu caminho...
e como vivo sem sua ternura e carinho!...
Até que ponto aguentarei a limitação
E me pergunto: conseguirei
dos meus passos,
ou continuarei a ser
da minha vida?
a sua sombra?
Qual é o preço da nossa segurança?
Como me custa caro viver assim
Deixar de viver
sufocada e amargurada nesta tristeza imensa?
mesmo sentindo a vida ainda presente?
Algum dia terá fim este sofrimento?
Quero apenas viver
Deixe-me ir ao seu encontro
sem medos...
livre... dos meus pesadelos!
Bette Vittorino
23.06.2003
Arneyde T. Marcheschi
25.06.2003