RETENDO IMAGENS

Ligi@Tomarchio®

 


Nas ondas da emoção
lágrimas felizes
gotículas de cristal
reluzentes almas coloridas
nas brumas de um mar revolto.

Imantados desejos
atraem corais, madrepérolas, nácar...
Um colorido submerso
das profundezas da alma
que canta, encanta sereias.

Botos, saltam em piruetas
bailarinos das águas verdes.
Brotos pontiagudos agrestes
espetam e acordam lembranças.

No paraíso do ser e existir
chovem amores, saudades...
No horizonte próximo com barreiras translúcidas
penetramos no âmago, essência do viver.

Extenso é o mar, o agreste local
confunde-se realidade e sonho.
O ser é.
Não viver é heresia, de fracos corações desavisados e dispersos.

Como resistir ao colorido da pintura móvel
animada e anímica
deste quadro da vida retida no olhar
do âmago inerte, suspenso, em vôo...

Nas ondas da emoção
sorrisos molhados pela água divina
agradecem ajoelhados na areia úmida, metamorfoseados.
O ser agora é Deus.

ADORO...
Ligi@Tomarchio®


A natureza
longas árvores
escadas para o céu
arco íris
íris dos meus olhos
mirando pássaros
poderosos guardiões
ao anoitecer.
Sentir terral úmido
som das águas
rochas.
Flores multicores
perfumes
sons celestiais
anjos naturais
animais no cio
sazonais paisagens
guardadas na retina
de olhos atentos
ao vento
lento...
Alento do viver!

31/07/2003


ASA DE BORBOLETA

Ligi@ Tomarchio®


Não deixe o sentimento entardecer...
Olhe o sol...
Seu reflexo no rio
derrama toda fluidez
do coração humano!
O erro reparado
merece a desculpa.
Culpa, qual?
Pedras rolam ao léu...
Pensamentos exalam
perfumes do amanhã!
O amor não separa
repara a dor da ausência.
Juntos nos tornaremos fortes.
Ao topo do mundo
seguiremos juntos
sempre lado a lado
feito asa de borboleta!

NOSTALGIA
Ligi@ Tomarchio®


Confesso e afirmo
penso e relembro
não me arrependo
mas quero viver...

Viver sem temer
pensamentos vãos
que atormentam
massacram, traem...

Trair a mim mesma
ira repentina
serpentina caindo
colorindo minha culpa...

Culpa, mas qual
quem não a tem
ater-se por que
a tanta tortura?

Tortura conhecida
por todos que choram
moram em si mesmos
temem mudanças...

Mudança de padrão
social, cultural, qual?
Tudo igual à ontem
e amanhã, amanhã, amanhã...

Amanhã choverá
águas quentes verterão
pedras vão rolar...
Quem jogará a primeira pedra?

Pedra, feito meu coração
rolando pra lá e pra cá
sem rumo certo
incorreto, melancólico...

Melancólico é meu pensamento
traidor, indolor, sofredor...
Quisera saber morrer...
É preciso correr o risco?

CHEIRO DE PAIXÃO
Ligi@ Tomarchio®


Descrevo em teu rosto
seco de paixão
todo pecado
de não senti-lo.

Amanhece a paixão
recriada e maldita
perfume colorido
cheiro soterrado.

Criação indolor, angustiada
sem rumo, fora de prumo
arrebata, desnuda
conforta e satisfaz.

No âmago das palavras
encontro alento
um despertar sôfrego
um amar desalmado.

Sensação de frescor
mansidão anoitecendo
reluz minh'alma
sedutor perfume.

Crepuscular sedução
carrega solitária
dor da alcova emaranhada
flamejada de lágrimas.

Maldita
perfumada
solitária
descomunhão.

COLHENDO FLORES
Ligi@ Tomarchio®

 


Colho flores
coloco água no vaso
ornamento o dito de porcelana
e nada acontece!

Olho ao redor
nada a combinar
tudo determina
que não deveria as ter colhido!

Procuro novamente
como demente
onde está o sentido
de tudo o que está contido!

O vaso contém água e flores
colhidas há pouco, com amor.
A mesa está arrumada
o ambiente a esperá-las!

Qual o problema então
se tudo está de acordo?
Não se pode então
colher flores no jardim...

Será roubo?

COFRE DE LUZES
Ligi@ Tomarchio®

 


Cofre de luzes
submersas
na densa escuridão.

Pensamentos resgatam
tremores antigos
surtos, espasmos.

Quase suspensos
os sons invadem
estreitos vãos,
frestas oprimidas.

Olhar luzes sonoras
por frestas segredadas
no cofre da saudade.

Mal dos tempos
menos atentos
ao som do imaginário,
no armário
o esconder da luz.

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