MARCAS DO PASSADO


Tanto tempo procurei por um amor,
porque viver sozinha era uma tortura.
Numa noite fria de tempestade te conheci
E dei-me conta de que sempre te procurei...
Logo me enamorei e soube não ser
apenas uma aventura...acreditei e me entreguei...

Nosso amor era tão meigo...doce... suave,
tão intenso, profundo e sincero!
Nós nos respeitávamos, nos compreendíamos.
Tu transformaste minha vida em momentos
alegres, felizes, sublimes e me fizeste acreditar 

que tudo seria para sempre... eterno.

Mas algo mudou... Como o vento e o tempo, 

a ternura acabou, a cumplicidade se esvaeceu,
o amor se desgastou com os anos...
a felicidade virou tristeza.
Os sonhos morreram... se dissiparam,
mas eu insisti... tentei...de tudo fiz para
trazer de volta o lindo sentimento
que ainda guardo no âmago do meu ser.

Entretanto, tu não mais te interessavas, porque

eu já não era a exuberante mulher que conheceras... 

Envelhecida, já não possuía o corpo perfeito... 

bem delineado, e para ti perdera o encanto....
Meus cabelos tingiram-se naturalmente
de branco... minha pele, antes lisa,
macia e aveludada, enrugara.
Tu foste, então, buscar em outra,
uma mulher mais jovem, bonita... 

um conjunto harmonioso, a sósia
daquela mulher que eu era e que
um dia tanto amaste!

Sozinha fiquei... Não saí à procura
de ninguém... de nada,
porque aquele a quem tanto amei,
para mim, nada havia mudado,
continuava jovem, lindo...
Seus cabelos escuros, hoje
grisalhos, sempre me encantaram.
Entretanto, não sabias que contigo
a vida haveria de brincar e também
te machucar...
Hoje, infeliz, sozinho e abandonado,
porque o tempo implacável
igualmente para ti passou...
Tornamo-nos iguais, mas somos dois estranhos... 

Vivemos distantes,
tristes e solitários
só por causa de um calendário!



ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA.E.E.SANTO
23.10.2002 - 00:42 hs.