Meu rio dorme tranqüilo
(Maria Antônia C. Scarpa)


Já não estou medrosa
a tarde veio em meu refúgio trazendo
sob sua égide a dança cintilante das verdades
todas elas entrelaçadas
num emaranhado de mal entendidos
trouxe consigo seus lábios de amante
que me beijou terno ...amigo

Foram supremos os meus esforços
para diluir minhas mágoas
demover meu dedo em riste
acusando você dos erros que não cometeu
Ah! Doce dia que veio caudaloso
descendo, me ensinando orações
perdoando as dúvidas

Hoje, corre em mim numa languidez
que incentiva e me ensina a esquivar

os fantasmas que bailaram
letárgicos ao meu redor
recheados de maldades
agora o meu rio dorme tranqüilo

Nada mais importa
pois na quietude do seu remanso
esqueço dos dissabores que alimentaram
sua ausência onde fiquei
achando que
a estrada cinzenta e fria
não teria volta

Confidencio agora somente aos meus devaneios
sugiro que até o silêncio não tumultue
minha tranqüilidade
nem quero lembrar de mendigar
horas a mais nos meus dias
Não será qualquer barulho
que me fará acordar

Tíli@ Cheirosa



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Minha brisa voltou sem máscaras
(Maria Antônia C. Scarpa)



Hoje falei com a brisa
ela veio sossegada
- Quietinha eu a ouvi, trouxe os seus conselhos
suas mensagens
você que foi o meu bem querer
ela veio de Hermes, esteve com você!

Não fui ao seu encontro
com meus cantos de desalentos
nem me alimentei do meu choro por sua ausência
foi seu amor que perdi
que me deixou saudosa das noites de entrega
e dos momentos ébria de prazer
- A brisa veio com graça
e eu a recebi no meu dia sem máscaras

Fez tanto por mim essa danada
que até os seus sussurros trouxe, disse
que o tempo caiu e mesmo assim a nau voltou
vencendo tempestades
Do seu comum não me contou nada
disse que esqueceu de perguntar sobre
suas intimidades

E assim me deixou com o grito rouco
de melancolia
perdido no eco das suas *entre linhas
- Brisa esperta...
sabia que eu não poderia sonhar
mas mesmo assim carregou
um pouco do seu tudo
até seu sorriso veio
disse que era pra eu não perder o rumo
e o deixou navegando
nas nuvens das emoções

Foi me ensinando a ter forças
nas noites que não terei mais com você
- Fiquei triste...mas soube entender
eu o perdi para o seu antigo amor
e não queria me ferir...daí suas fugas
Ah! Doce quietude tem essa manhã
que com essa brisa matreira
Segurando minhas mãos
atravesso o rio caudaloso
em todo seu curso com segurança

Sabe, temos os mesmos caminhos
mas...não temos os mesmos passos
então nos distanciaremos um do outro
Distraídos seguiremos por lugares
que não são nossos
mas cada um do seu lado...suportando
a poeira do silêncio
Espalhadas no chão, estão as folhas mortas
que a brisa recolheu do caminho vazio
onde ficaram apenas os nossos segredos

Como veio murmurando
tentei entender o seu tudo e o seu nada
meio as brumas do seu perfume
que permaneceram no ar...
Até o contorno dos seus lábios
ainda continuam nos meus sonhos
Dentro do meu aconchego
quero imaginar seu abraço
nessa manhã despojada de novidades
- Vamos deixar nossas vidas livres
são vidas de muita valia
...apenas meu amor...não fomos feitos
um para o outro
seja feliz...

Tíli@ Cheirosa



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Sua paixão em mim...logo de manhã
(Maria Antônia C. Scarpa)


Sentei aqui logo de manhã
para recordar nossa conversa
o sol quente veio aquecer minha vidraça
e no meu pequeno jardim
a quaresmeira umedeceu o ar

Tenho andando suspirando
no meio das minhas palavras
tenho caído como uma cascata
quase sempre em letargia
rápida e fria
Talvez porque essas águas
não façam atalhos, devaneando
nas entrelinhas

Meio a esse silêncio matinal
a natureza continua saciando seus desejos
decerto ainda são apenas dos pássaros
os poucos ruídos que ouço
pois não há ventos pra levar seus gorjeios
assim fico aqui olhando o vazio

As vezes confundindo minha memória
vou errando entre todas as minhas lembranças
seu rosto, sua voz
se nos dois temos o mesmo nível de amor
o mesmo ardor
- Preciso saber tudo!

Vou me consumindo
sorvendo todas as venturas da nossa alma
buscando as causas do sofrer
os desejos adormecidos
que foram-se esvaindo
como grãos de areia meio aos dedos

Por que nos conhecemos?
O ocaso assim o quis
nos deu um ao outro
tépidos sombreados, meio as poesias
fomos nos envolvendo, num passeio

No entanto despercebidos : dissemos adeus
calamos o melhor dos nossos beijos
sob o pretexto de nos esquecermos
Mas...estou sentada aqui,aflita
cada segundo...mais mergulho na embriaguez
afogando-me na sua paixão!!!

Tíli@ Cheirosa