OS IMIGRANTES



Em navios repletos e mal 
acomodados, com pouco dinheiro,
mas muita esperança,
eles embarcavam em busca de novos horizontes,
já que seu amado país ficara 
destroçado pela guerra.

Traziam nos rostos tristes
as marcas da dor, 
das saudades, dos seus mortos 
que lá ficaram, sem sequer terem 
o direito à última morada. 

No rosto das mulheres a tristeza,
no sorriso inocente das crianças, 
um novo sonho, novas aventuras...
Quando se é criança tudo é prazer.

Em condições precárias, muitos morreram 

durante a travessia e no fundo do
oceano ficaram com seus anelos.

Os que conseguiram sobreviver 
aos três meses de travessia, enfrentando chuvas, 

ventos, frio e tempestades, chegaram a se
considerarem vitoriosos.

Mas, a terra tão prometida
era distante e árida, 
desprovida de quaisquer recursos,
demandava lida diária...
Entretanto, eles conseguiram 
e ergueram seus castelos,
concretizaram seus sonhos!

Hoje, quem passa pelo bairro do Bexiga, 

na Grande São Paulo, encontra famílias de
imigrantes sempre sorrindo, 

festejando, comemorando...
Tudo é festa!... Dizem: 
"La vitta e bella!"

Porém, se olharmos profundamente 
nos olhos de cada um, sentiremos a mágoa, 

a saudade do país lontanno,
que ficou para trás, para onde
muitos não puderam regressar, ou
rever os amigos e parentes...

Imigrantes! Sofredores, alegres...
Não importa... São assim 
e devemos reconhecer e 
lhes fazer justiça:
Imigrantes são vencedores!





ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA E.SANTO
08.12.2002 - 13:45 hs