PAPAI, MEU QUERIDO, 

QUANTAS SAUDADES!


Ontem, ao rever velhos papéis, encontrei uma cartinha amarelada pelo tempo. 
Lembrei-me dela. Você a escreveu, carinhosamente, quando eu completei 15 anos... 
Quantos anos já se foram!
Eu apertei, junto ao peito, aquela velha carta e a saudade bateu forte,muito forte. 
Aquela velha carta levou-me de volta ao passado... Quanto chorei quando a li! 
Havia tanto amor, tanta emoção nela! Verdades em meias palavras escritas. 
As palavras não eram necessárias a que você falasse do seu amor por mim; 
um amor tão puro, tão do seu jeito de ser; um amor que era amor de verdade. 
Você sabia amar sem cobrar, sem pedir, nem exigir nada em troca...
Senti muita emoção ao relê-la, embora, eu a saiba de cor. 
Mas, para não chorar, para você não me sentir triste, a guardei, a escondi, 
sentindo no silêncio da noite esta saudade doída, esta angústia de saber que 
nunca mais verei esse pai tão maravilhoso, tão amigo, conselheiro, compreensivo, 
que você foi, e que tanto amei, amo, de quem sinto inenarráveis saudades. 
Saudades... Saudades! Nada mais existe. 
Não se pode voltar no tempo, e eu queria tanto apenas lhe dizer:
Pai, como eu amo você!



ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA.E.E.SANTO
15.12.1998- 22:30 hs