Sintonia de amor...
Águida Hettwer

Abraça-me como os raios do sol intercalam as nuvens azuis em manhãs de verão, flores desabrocham, perfumando o ar, a relva escorre do telhado das casas, pingando em latas velhas, sintonia de amor, aflora na pele, envolvente sensação.

Através das frestas da janela, o vento passa a brincar com as cortinas, dança de corpos, flutuam no manto escuro da noite, borrifar fragrância de amor, sobre o firmamento, espalhando sentimentos e emoções em corações vazios.

Dádiva dos céus, pisarem em estrelas, rumo ao infinito, doce quimera, atravessa eras, vestígios de ilusão, regato de paixões, debruçam-me nas asas da imaginação, sobrevoando o solo da lua, hasteando a bandeira do amor.

Cavalgar as entranhas do coração, desbravando emoções, dentro de mim o amor transporta retalhos de vidas, na rima que esconde cada verso, reflexo nas palavras.


01.01.2006

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Bilhete escrito, lágrima de saudade
Águida Hettwer


Abri os armários de recordações e deixei as emoções fluírem, folheando páginas viradas, vidas separadas, lugares distantes ficaram para trás, através dos vidros da janela foi distanciando cada vez mais.

Páginas marcadas, perfume entranhado na alma há tanto tempo, a letra quase que desenhada, histórias contadas, amores vividos, paixões adormecidas, revivi cada momento.

Lágrima derramada, feito chuva repentina, embaciando a visão, escorrem sem cessar, sinto a mesma sensação de quinze anos atrás, como o coração adolescente e uma mente confusa e difusa querendo ser gente.

Lembranças guardadas, com sete chaves fechadas, baú de profundas emoções, rosas como marcadores de página, contam suas histórias na doce melodia, na sensibilidade do toque dos dedos, nos olhos que se fecham na entrega do primeiro beijo.

Sapatilhas e meias de seda, vestidos de renda, colar de pérolas, no palco da vida, abriram-se as cortinas, ouço os aplausos, curvo a cabeça, segurando o vestido,

Na ponta do pé e mãos ao alto, desenho no ar movimentos suaves e delicados, giro alguns segundos, no recitar do verso vejo o mundo em minha volta.

Luzes da ribalta, na bruma da solidão, perdem a razão, vivo apenas de emoções.

Bilhete selado, antigo e atual namorado, versos recheados de paixão e ternura, ainda guarda no olhar a mesma doçura, que o tempo não apagou, traços marcados pela maturidade, a idade pouco importa, menino corre, abre as portas onde a luz permeia, estou grudada nessa teia de ilusões.

16.07.2005

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Rastreando corações...
Águida Hettwer

Sigo teus passos, marcas na estrada, perfumes suaves, geram flores e amores, sob a luz de um sorriso, ultrapassa o coração, através da alma avidamente.

Suspiro profundo, lágrimas que rolam, rastreando corações, pegadas no deserto, oásis perdido, descanso nas sombras alvas, areias brancas.

O oceano esconde seus segredos, na fúria da noite, chora seus medos em ondas arremessadas contra as pedras.

Fulgor do infinito, decifrar das emoções, repletas e límpidas, nomear o desconhecido, perpétuo amor, envolvida na beleza de teu ser.

Ecoam ao vento como orquestra harmônica, a tua voz mansa, carícias adentrou no peito, aninha-se no aconchego do âmago, deleito razão e ternura.

Em suavidade desnudar as palavras, carregadas de emoções.

04.01.2006

 

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Sublime afagar...
Águida Hettwer

Atravesso a fronteira do inconsciente, submerso em delírios, ausências, longas distâncias, cântico sendo reescrito, imune de críticas e opiniões.

Afagar eterno, sublime amor, sons ecoam, sussurrar das paixões, inevitável olhares que se encontram mãos entrelaçadas, corações pulsantes de emoções.

Lembranças sangram, roçam na mente, vasculham nas entrelinhas, vestígios de sentimentos, súplicas ao pé do ouvido, solidão da alma, calafrios.

Amanhecer testemunha ilusões, transpirando esperanças, andanças, ruas vazias, solitário andante, me arrastando entre a fantasia e realidade, alguém que saiba sorrir, um coração para entregar, saciar a sede na fonte do amor, sob o peso de carícias profundas, troca de desejos e anseios.

Fulgor das estrelas no olhar, abrigo nas asas da paixão.

04.01.2006

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