QUANDO
MEUS OLHOS SE ABRIRAM
Perdoe-me amor se já não sou bonita
como quando você me conheceu...
Sim, eu era jovem e com um corpo perfeito...
Todos elogiavam e você se gabava
orgulhoso da beleza daquela moça
que você fez mulher e dizia:
Parece uma escultura!
Os anos se passaram e a escultura se transformou...
Você já não me olhava mais
Eu nem me olhava mais no espelho...
Eu tinha medo quando seus olhos me procuravam,
Porque parecia que me interrogavam, queriam saber
Onde estava a outra, a bela mulher de outrora.
O corpo firme, hoje está flácido
e envelhecido, cabelos sem brilho, opacos, grisalhos, as faces marcadas pelas dores da vida,
expressando somente tristeza e amargura,
naquele rosto lindo que era apenas ternura...
E você, a cada ano que passa, está mais jovem,
mais bonito, ainda parece aquele menino
por quem um dia me apaixonei...
Fino, galante, falante... Parecia um lorde inglês,
um gentleman, mas tudo era falso como você,
que construiu uma vida de mentiras
e na própria teia se enroscou.
Foi você quem me transformou de princesa em bruxa,
Com todo o seu amargor e aspereza!
Em que pessoa endurecida e embrutecida você se transmudou!
Parece ter perdido a sanidade, ter enlouquecido!
Mas, ainda assim, peço que me perdoe,
perdoe se descobri suas fraquezas,
se eu investi em você todos os meus sonhos,
meus ideais, meu incondicional,
meu irreal... Por lhe querer racional
verdadeiro...natural!
Eu o amei muito com imensurável amor!
Eu sempre o senti presente,
mesmo estando distante...
Mas o amor não é coisa de um dia,
são atos, palavras, atitudes, carinhos,
olhares trocados, sorrisos sinceros...
São pequenas coisas que se fortalecem com o tempo, sem enfraquecerem jamais.
E você nunca me sentiu presente
Mesmo estando ao seu lado constantemente...
Você estava sempre ausente de corpo e alma,
pois nunca se esqueceu daquela que você tanto
amou e que o trocou por outro, pelo seu melhor amigo.
Como você não teve coragem de lutar contra ele,
perdeu o sentido da vida,
arruinando-se pelos bares a beber, até cair na sarjeta, de onde eu não deveria tê-lo tirado,
porque como você não perdoa e não esquece, sua maldade tudo destruiu como destruiu a mim
que o socorri, o amei, e os meus melhores anos lhe dediquei...
Somente agora eu enxerguei que isso
não é amar e, sim, vegetar, acovardar-se
deixar-se morrer pouco a pouco,
pensando que não sobreviveria sem você.
Mas meus olhos se abriram de verdade e
me fizeram percebê-lo na sua realidade
e na sua insensibilidade!
ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA.E.E.SANTO
15.10.2002 - 05:25 hs