AH!
SE EU PUDESSE SER UM COMPUTADOR...
Eu queria ser um computador para
ter dentro de mim chips, memórias,
arquivos,músicas, enfim todo o necessário
para ler, corrigir, formatar, desfragmentar o disco
e até alterar os meus neurônios,se necessário fosse...
Se eu pudesse, a primeira coisa que faria seria
deletar todos os arquivos inúteis...e são tantos!
E depois, claro, cuidaria de passar o antivírus
em toda nova mensagem de tristeza
que se insinuasse em meu coração...
São coisas necessárias para se providenciar,
mas como não sou um micro, nem laptop,
apesar de ser parecida, porque tenho
memórias...arquivos...placas...
um monte de inutilidades contaminadas por vírus, armazenadas no meu íntimo... coisas que,
urgentemente, precisam ser jogadas na lixeira da vida depois de feita uma grande faxina.
Uma faxina que deixasse meu ser completamente puro...Até aí tudo bem!
O procedimento está correto, mas quem garante que depois de tudo limpo, desfragmentado,formatado...
eu não me dispersasse deixando novo vírus
me atacar novamente, e, agora,
desse velho computador,
só sobrou a velha carcaça...nada mais!
Mas e aqueles arquivos completos de sinceridade, de amor, de carinho, de poemas, pequenas poesias, e bilhetinhos escritos ao acaso,
será que também feneceram? Apagaram-se da memória? Morreram, como morto também está o coração do computador?...
Agora é tarde para socorrê-lo...não adianta mais ponte de safena...nem marca passo.A obstrução foi muito grande e a única atitude a adotar de imediato
é jogá-lo fora. Que pena!...Ele era tão meu amigo!Mas será que era mesmo?
Tenho dúvidas...pois se fosse realmente
meu grande amigo...se tivesse afeto por mim, ele lutaria...tentaria ao menos salvar os arquivos dos meus sentimentos...aqueles únicos que restaram
na minha vida, no meu pensamento,
no mais íntimo do meu ser!!!!!!
ARNEYDE T. MARCHESCHI
VITORIA.E.E.SANTO
01.09.2002 - 17:50 hs