No mar da minha vida...
Arneyde T. Marcheschi
Mergulhando em aguas limpidas
procuro nas profundezas, você.
Esse alguém a quem muito amei,
que modificou minha história,
que escreveu capitulos e capitulos
de um lindo romance de amor.
Você que se perdeu nas brumas...
levando junto meu coração,
minha alegria de viver,
você que tanto amei...
Hoje, perdida no oceano azul
sigo, navegando a deriva,
procurando por entre as ondas
seu rosto,seu vulto lindo e amigo.
Em cada peixe que passa
pergunto de você...
no silencio em meio a vastidão
ouço apenas seu lamento,
seu pranto dorido,na hora do adeus.
Imergindo do devaneio
ergo meus olhos marejados
pela grande saudade,e sinto a paz
que vem no calor do sol
que aquece a agua fria , me
conforto em saber que não estou
tão distante, que não estou sozinha
sinto seu corpo quente a me abraçar
a me dizer, estou aqui,
onde ainda existe a esperança.
E ao ouvi-lo, meu pranto cessa,
sereno meu coração,aquieto minh'alma.
Sinto a voz suave do vento
e uma grande fé renasce em mim,
afinal sinto a vida que recomeça
me sinto quase feliz...
Não estou mais sozinha,enfim
tenho suas recordações...
tenho seu carinho, ainda sinto
voce pertinho de mim
como antigamente...
Somos unos,jamais deixaremos
esse amor morrer.
Vitoria.E.Santo 03/11/2005
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Navego no teu Mar
Helõ Abreu
Perigosamente conduzo o meu navio
Para mares que não domino,
Direcionando-o para oceanos que se ligam
Sem pudor.
Velejar,
Sentir a brisa,
Prever tempestades,
Ondas gigantes,
Ataques de monstros marinhos,
Palpita assim o meu coração,
Fechado num corpo à deriva.
Transponho o tempo real,
Vingo-me de relógios corredores,
Atraiçoo os dias e as noites.
Vejo a lua,
Vejo as estrelas,
Vejo o sol,
E por vezes nuvens negras revoltadas.
Segundos intensos e breves em que tenho noção.
Se estou perante a madrugada,
O dia,
A tarde ou uma noite estrelada.
No meu navio descontrolado
Vejo o que nunca vi,
Cheiro o que nunca cheirei,
Sinto o que não imaginava poder sentir.
Perdida no mar,
Escondida nas águas salgadas,
A boca procura o doce que aqui não existe,
O doce e o amargo que se completam.
E que recordo sorrindo.
À deriva,
Ou dominando todos os mares,
Procuro-me
Achando o espaço que me rodeia o corpo,
Que influencia a minha alma.
Procuro-me,
Perdendo-me por momentos,
Vagabunda, mendiga sem pouso certo.
Certo é o que não existe,
Porque nada é certo.
E o errado nem sempre o é.
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Sinfonia do Mar
Maria Thereza Neves
Navego com a sinfonia do mar
nas escalas que beijam a orla
indefinidas ,calmas ou aflitas
nos ventos que açoitam o percurso das gaivotas
nos solfejos ,acordes que quebram em ondas
que fundem o azul e o verde.
Vago no olhar que se perde no infinito
que absorve pensamentos
transpõe espaços e momentos
quando o silêncio inunda a alma
nas velas trêmulas que sussurram canções
carícias com sopros de maresias.
Mergulho na contradição ,em tantas fusões
no resíduos das pedras, nas algas e corais
no avesso, na candura e na aventura dos versos
na pauta das notas, nas teclas do meu piano
espelhando,espalhando os reflexos do sol ,do luar
nos instantes de tormentos
que se acalmam no crepúsculo
ao cavalgar com as luzes das estrelas
a orquestra em sinfonias
na sintonia em eterno movimento.
